Parceria une tecnologia alimentar e expertise em cacau para enfrentar a maior crise da commodity em décadas e acelerar o desenvolvimento de novas formulações.
A NotCo firmou uma parceria estratégica com a Barry Callebaut para acelerar a criação de chocolates mais sustentáveis em meio ao agravamento da crise global do cacau. A colaboração une o desenvolvimento tecnológico da foodtech chilena — conhecida pelos produtos NotMilk e NotBurger — à experiência da maior produtora mundial de chocolate, que busca alternativas viáveis diante do aumento expressivo dos custos e da queda histórica na oferta da matéria-prima.
No centro do acordo está o Giuseppe, o sistema de inteligência artificial da NotCo treinado exclusivamente com dados do universo alimentar. A plataforma reúne informações sensoriais de laboratórios e painéis de degustação, milhares de formulações criadas por chefs e engenheiros, dados regulatórios internacionais e análises de comportamento do consumidor extraídas de redes sociais e mercados. Essa base permite gerar receitas completas, prever limitações de produção, otimizar linhas industriais e reduzir até 60% do tempo necessário para desenvolver produtos complexos como chocolates, laticínios e bebidas.
Para a NotCo, o movimento reforça a ambição de se consolidar como o “sistema operacional” da indústria global de alimentos. Já a Barry Callebaut vê a oportunidade de encurtar ciclos de teste e erro, uma das etapas mais demoradas da formulação de chocolates premium, e responder de forma mais ágil às mudanças do mercado.
A iniciativa surge em um momento crítico: a produção mundial de cacau caiu 13,1% em 2023/2024, atingindo 4,38 milhões de toneladas, enquanto os preços internacionais dispararam mais de 230% em dois anos. Secas prolongadas, chuvas irregulares, solos degradados e doenças afetaram principalmente Costa do Marfim e Gana, responsáveis por mais de 65% da oferta global.
Diante desse cenário, a meta das empresas é desenvolver chocolates que mantenham sabor, textura e qualidade, ao mesmo tempo que reduzem a dependência da colheita tradicional e aliviam a pressão sobre plantações vulneráveis. A proposta inclui o uso otimizado do cacau, substituições parciais de ingredientes e novas matrizes de formulação.
Segundo a NotCo, o objetivo é claro: criar o chocolate do futuro de forma mais rápida, eficiente e sustentável.