O Brasil consome, em média, 69 litros de cerveja por pessoa ao ano e a demanda por cervejas artesanais sem glúten cresceu com a maior conscientização sobre a doença celíaca.
Para atender a esse público, cervejarias estão substituindo trigo e cevada por outros insumos como arroz, milho, milheto e mais recente o sorgo.
Atenta a esse cenário e comprometida com sustentabilidade e diversificação do uso do sorgo no mercado brasileiro e internacional, a Advanta Seeds Brasil, empresa de sementes do Grupo UPL, em parceria técnica com a cervejaria paulista, X Craft Beer, desenvolveu um lote experimental de cerveja à base de sorgo. Com receita exclusiva, o projeto evidencia, na prática, a versatilidade do grão ancestral como ingrediente estratégico para a indústria de bebidas.
A iniciativa teve como objetivo principal demonstrar o potencial técnico e sensorial do sorgo, contribuindo para ampliar sua percepção além dos usos tradicionais. Segundo Aline Silva, responsável na área de inteligência de mercado da Advanta, a iniciativa reforça a visão da empresa de conectar campo, inovação e novas oportunidades.
Embora a cerveja não esteja disponível comercialmente, o projeto cumpre seu papel como demonstração técnica e sensorial das possibilidades do cereal. “O sorgo ainda é muito associado a uma cultura secundária, utilizada em safrinha, com destinação a ração ou biocombustíveis. Com essa iniciativa, buscamos provocar uma mudança de percepção, mostrando que também pode ser protagonista em produtos inovadores, conectando agricultura, indústria e consumidor final”, explica.
A cerveja experimental possui mais de 50% de sorgo não maltado, mas a ideia é continuar trabalhando a chegar em um produto final com 100% de sorgo. “Esse projeto vai além do produto: trata de inovação e sustentabilidade. Ao explorar o sorgo em uma bebida artesanal moderna, unimos tradição e tecnologia, valorizando um grão com herança cultural e grande potencial para cadeias produtivas sustentáveis”, destaca Aline.
O processo utilizou condução enzimática e técnicas modernas de brassagem, comprovando a viabilidade do sorgo em formulações de alto padrão. Para o cervejeiro, o desafio foi significativo, já que o sorgo é um cereal não maltado (não há maltearia no Brasil para o processo no insumo) e não possui naturalmente as enzimas necessárias para a conversão do amido em açúcares fermentáveis. Por isso, foi preciso desenvolver um processo específico, com controle rigoroso de temperatura, pH e uso de enzimas, garantindo eficiência na conversão e qualidade final da cerveja.
A proposta da receita foi trazer o sorgo para um contexto contemporâneo. “Escolhi o estilo Pale Ale, com lúpulos americanos e uma pequena adição de cevada. O resultado foi surpreendente, chegamos em uma cerveja leve, refrescante, com baixo teor alcoólico e características únicas de aroma e sabor”, afirma Alexandre Lewis Xerxenevsky, cervejeiro há mais de 16 anos, com formação no Canadá e nos Estados Unidos, e responsável por um portfólio com mais de 30 rótulos registrados.
Os primeiros lotes fabricados foram apresentados em ações com colaboradores, parceiros e fornecedores durante eventos da Advanta. Segundo Aline, a receptividade foi bastante positiva, inclusive com solicitações por novos lotes. “A intenção da Advanta não é produzir cerveja em escala, mas fomentar a cadeia e demonstrar que, quando a indústria identifica oportunidades, é possível desenvolver produtos inovadores e diferenciados. Além disso, trata-se de uma alternativa interessante para o público que busca opções sem glúten e mais acessíveis e de qualidade”, conclui.
