O mercado global de wellness já movimenta US$ 5,6 trilhões e deve alcançar US$ 9 trilhões até 2028, segundo o Global Wellness Institute (GWI). No Brasil, o setor representa cerca de US$ 96 bilhões, posicionando o país entre os maiores mercados consumidores de bem-estar do mundo.
Esse avanço tem impacto direto no varejo alimentar, que passa a reorganizar sortimento, comunicação e estratégias comerciais para acompanhar um consumidor mais atento à relação entre alimentação e saúde.
Essa busca por produtos saudáveis é impulsionada por fatores como maior acesso à informação, aumento da expectativa de vida, preocupação com doenças relacionadas ao estilo de vida e maior conscientização sobre nutrição.
Ao mesmo tempo, a multiplicidade de termos presentes nas embalagens, como diet, light, zero açúcar, funcional, integral e sem lactose, cria um cenário que pode gerar dúvidas e insegurança na decisão de compra; a organização da loja e a clareza na comunicação no ponto de venda ganham papel estratégico para facilitar a escolha e estimular a experimentação.
O preço ainda representa uma barreira importante. Muitos produtos da categoria apresentam custos mais elevados devido ao uso de ingredientes diferenciados ou à menor escala de produção, o que restringe o acesso de parte dos consumidores. A ampliação de marcas próprias, ações promocionais e a diversificação de faixas de preço aparecem como caminhos para ampliar o alcance desse mercado e consolidar seu crescimento no país.
Essa transformação já é visível nas grandes redes de varejo, onde produtos como whey protein, creatina, barras proteicas, itens zero açúcar e sem lactose, bebidas funcionais e snacks naturais deixaram de ocupar um espaço restrito e passaram a fazer parte da rotina de compra.
Do lado da indústria, o movimento também se intensifica com reformulações e lançamentos voltados à nutrição funcional, incluindo bebidas vegetais, snacks naturais, barras proteicas, cookies funcionais e formatos mais práticos, como sachês e bebidas prontas para consumo, além de produtos voltados ao público acima de 40 anos.
Mais do que uma tendência pontual, trata-se de uma mudança estrutural no comportamento de consumo, que redefine o papel das gôndolas e acelera a inovação no varejo alimentar brasileiro.
