Mercado de wipes de limpeza no Brasil crescerá 37% até 2026

Hábitos arraigados de limpeza dos brasileiros, que valorizam água e espuma, e redução de renda estão entre os desafios para os players na categoria
Por Estela Mendonça
O mercado de wipes de limpeza é relativamente embrionário no Brasil, mas impulsionado pela pandemia, alcançou um crescimento de dois dígitos nos dois últimos anos, atingindo vendas de R$ 37,4 milhões em 2021, um resultado 13,9% maior do que o registrado em 2020, que já havia crescido 11,8% sobre 2019, segundo a Euromonitor International. A previsão para os próximos cinco anos também é animadora, com elevação notável de 37%, chegando a R$ 51,3 milhões.
O bom desempenho deve fazer o Brasil escalar algumas posições do ranking global de consumo de wipes de limpeza, onde atualmente ocupa o 29ª lugar, já que a previsão da Euromonitor é de estabilidade nas vendas mundiais da categoria, que retraiu 3,7% entre 2020 e 2021, fechando em US$ 4,284 bilhões.
Concorrência com a água e a espuma
Na análise da Euromonitor, apesar das boas perspectivas, os players desse mercado têm alguns desafios pela frente, já que o consumo per capita foi de apenas 0,31 folha em 2021, muito abaixo do vizinho Chile, que chegou a 29 folhas. Hábitos de limpeza arraigados talvez sejam o maior deles. “Na limpeza de pisos, varandas, janelas e banheiros, os brasileiros costumam usar a água como base, em conjunto com um produto adequado, sendo os desinfetantes para uso doméstico e o alvejante as opções preferidas”, aponta Paula Ferolla Correia, analista de pesquisa da Euromonitor, destacando que na Europa Ocidental e na América do Norte, os lenços de limpeza são vistos como uma alternativa eficiente.

Paula Ferolla Correia, analista de pesquisa da Euromonitor
Outro fator relacionado aos hábitos que dificultam uma penetração mais ampla, segundo a analista, é que a formação de espuma ainda é atributo importante para o consumidor brasileiro na percepção de desempenho e eficácia dos produtos. Somado a isso, o fato de que muitas famílias, ao contarem com ajuda doméstica nos afazeres, delegam também a decisão de compra, que geralmente se baseia em escolhas mais tradicionais.
A escolha dos wipes de limpeza como alternativa de compra também é influenciada pelo atual cenário o econômico no país. “A desvalorização da moeda e o aumento do desemprego levaram à redução do poder de compra dos consumidores brasileiros”, lembra Paula.
Tensoativos especiais
Para deixar bem definido, Vicente Gomes Oliveira, especialista de produtos Home Care da quantiQ, explica que os lenços umedecidos (wipes) são não-tecidos (non-woven) à base de poliéster e viscose impregnados com soluções de limpeza para diferentes fins. “Este formato, que antes era predominante no setor de cosméticos para remoção de maquiagem e para a linha baby, vem ganhando forte espaço no mercado de limpeza doméstica e institucional”, afirma, acrescentando que hoje no mercado é possível encontrar wipes para desinfecção de superfícies, limpeza de telas e dispositivos eletrônicos, limpadores multiuso para cozinha e banheiro, desengordurantes, limpa-vidros, lustra móveis e até higienizadores para a linha pet.

Vicente Gomes Oliveira, especialista de produtos Home Care da quantiQ
Oliveira atribui o aumento expressivo da demanda à procura por formatos mais convenientes e versáteis de higienização de superfícies, por conta dos novos hábitos de consumo no contexto da Covid-19. “Os wipes podem ser carregados na bolsa e no carro e estão sempre à mão para uma desinfecção rápida de maçanetas, botões de elevadores, corrimãos, balcões e superfícies compartilhadas. Também estão na cozinha e no banheiro”. O especialista lembra que no hemisfério norte os wipes já fazem parte dos hábitos de limpeza, substituindo a lavagem das superfícies, o que os alinha à tendência de menor consumo de água.
Entretanto, para desenvolver wipes de limpeza, Oliveira atenta que são necessários alguns ajustes de formulação para que a solução de limpeza impregnada nos tecidos apresente baixa viscosidade, baixa espumação – para que não haja necessidade de enxágue –, uma boa umectação e compatibilidade com a pele, uma vez que é manipulado em contato direto com as mãos. “Para se obter um produto com estas características, são necessários tensoativos especiais como o ALKOMOL® L 405, da representada Oxiteno, e ativos umectantes como o AJIDEW® NL-50, da Ajinomoto”.
O ALKOMOL® L 405 é um álcool etoxilado e propoxilado de fontes vegetal e sintética, que tem como principal benefício fazer a limpeza com baixa espumação. Segundo Oliveira, ele consegue reduzir a tensão superficial e remover a gordura e sujidades, porém sua estrutura impede a estabilização da espuma.
Já o AJIDEW® NL-50 é um ativo umectante multifuncional que pode ser utilizado tanto em produtos cosméticos quanto em saneantes, com o benefício de hidratação e cuidado para as mãos ressecadas. “O AJIDEW® NL-50 é um produto à base de PCA Sódico derivado do ácido glutâmico, que repõe os constituintes do fator de hidratação natural da pele, sendo biomimético e biocompatível, apresentando desempenho superior aos demais umectantes do mercado”, explica Oliveira.
Formulações já testadas
Natany Fernandes, gerente técnica da THOR, alerta que os lenços umedecidos são um grande desafio quanto à preservação em relação à contaminação microbiológica. Além de uma boa formulação do liquor, que é o líquido impregnante, também é necessário estudar o não-tecido (non-woven) empregado. “Sabe-se que a susceptibilidade à contaminação varia bastante dependendo das fibras empregadas no non-woven, que podem ser sintéticas, naturais ou mistas. Outros fatores cruciais para a preservação são a taxa de impregnação do liquor no non-woven e a interação dos diferentes agentes com as fibras, que poderá impactar na distribuição dos ingredientes, entre eles os conservantes, na pilha de lenços dentro do pacote”.

Natany Fernandes, gerente técnica da THOR
A THOR, player global em preservação e desinfecção, tendo em mente esses desafios, desenvolveu métodos de laboratório específicos para a avaliação desses aspectos em lenços umedecidos. Natany cita os microbiológicos de “Challenge Test”, que testa a resistência à contaminação microbiológica em longo prazo e testes para lenços desinfetantes, seguindo as normas europeias para esses produtos. Também são realizados testes analíticos, quantificando o teor dos ativos conservantes em lenços, pelos quais é possível analisar a aderência dos ativos ao non-woven e a distribuição do liquor pelas camadas empilhadas de lenços.
Além de uma linha completa de conservantes para lenços umedecidos de diversas aplicações, nos últimos anos a THOR desenvolveu formulações já completamente testadas em sua eficácia desinfetante. “Com o uso de produtos como o ACTICIDE® DDQ 50, a formulação de líquido impregnante garante resultados comprovados contra vírus, bactérias, leveduras e bolores, atendendo aos requisitos de tempo de contato determinados pelas normas”, afirma Natany.
A gerente da THOR acrescenta que, além de suas propriedades contra microrganismos, os lenços também devem apresentar outras características, como suavidade e facilidade em se soltar do pacote, o chamado de efeito pop-up. “Conhecendo essas necessidades, a THOR desenvolveu o quaternário de amônio Microcare® Quat EQG, que confere um toque sedoso durante o uso, e o silicone Microcare® Silicone Q17PGM, que facilita a retirada dos lenços, folha a folha, de dentro do pacote. Esse mesmo ingrediente também reduz a formação de espuma durante o processo de fabricação de lenços umedecidos”, completa.
Pandemia e reabertura
Grandes players de produtos de limpeza, como Unilever, P&G, Química Amparo e Reckitt, desde 2020 vêm investindo em lançamentos na categoria. A elas se juntam muitas empresas pelo mundo, estreantes ou consolidadas no setor, buscado inovar com novos itens, tanto no mercado de household como industrial e institucional.

Laura Mahecha, gerente de Indústria de Limpeza I&I da Factor-Kline
Como a reabertura das atividades impôs a necessidade de reforçar as medidas de higienização, a Factor-Kline enxerga boas oportunidades com o aumento da frequência da limpeza em ambientes industriais e institucionais. Laura Mahecha, gerente de Indústria de Limpeza I&I da empresa de pesquisas também destaca o aumento no uso de lenços umedecidos em instalações voltadas para o público, como varejistas, restaurantes e escolas. “A preocupação crescente com a saúde e a higiene, tanto por parte da população como dos estabelecimentos comerciais e do governo, deve continuar alimentando o crescimento da indústria de limpeza profissional. Em suma, higiene e cuidados com micróbios e doenças já se tornaram tendências, e vieram para ficar”.
Lenços tecnológicos
Pensando em simplificar o processo de limpeza e torná-lo mais seguro, a 3M lançou os Lenços Removedores Instantâneos de Microrganismos. Karen Ligeiro Schlickmann, especialista de marketing da Divisão Soluções Comerciais da 3M do Brasil, explica que com apenas adição de água esses lenços removem 99,9% dos microrganismos, como bactérias e vírus, incluindo SARS-CoV-2 e outros 10 causadores de doenças, em apenas um segundo.

Karen Ligeiro Schlickmann, especialista de marketing da Divisão Soluções Comerciais da 3M do Brasil
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