Pesquisadores desenvolvem versões plant-based de salmão, caviar e anéis de lula com composição nutricional ajustável
A Embrapa deu mais um passo no desenvolvimento de proteínas alternativas ao criar protótipos de alimentos vegetais produzidos por impressão 3D capazes de reproduzir características visuais, estruturais e nutricionais de produtos tradicionalmente associados à pesca, como filé de salmão, caviar e anéis de lula.
O projeto foi conduzido ao longo de aproximadamente 30 meses pelo Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO), vinculado à Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, e integra uma frente de pesquisa voltada à aplicação de tecnologias avançadas no desenvolvimento de alimentos inovadores.
Para reproduzir aspectos como textura, aparência e valor nutricional, os pesquisadores desenvolveram formulações compostas por proteínas vegetais, farinhas de leguminosas, óleos de origem vegetal e de algas, além de nanoingredientes, espessantes e corantes naturais. Esses componentes foram transformados em tintas alimentícias utilizadas no processo de impressão tridimensional.
De acordo com a equipe responsável, uma das principais vantagens da tecnologia é a possibilidade de personalizar a composição dos alimentos, ajustando nutrientes e ingredientes de acordo com diferentes perfis de consumidores, necessidades dietéticas específicas e objetivos nutricionais.
A pesquisa também explora o potencial de matérias-primas provenientes dos Bancos Ativos de Germoplasma da Embrapa, que reúnem ampla diversidade genética de espécies vegetais, animais e microrganismos. O objetivo é identificar ingredientes capazes de reproduzir atributos sensoriais normalmente encontrados em alimentos de origem animal por meio de fontes exclusivamente vegetais.
Entre as aplicações futuras da tecnologia estão o desenvolvimento de produtos destinados a consumidores com restrições alimentares, alimentos enriquecidos com nutrientes específicos e soluções voltadas ao fortalecimento da cadeia de proteínas alternativas, segmento que vem ganhando relevância diante das discussões sobre sustentabilidade e segurança alimentar.
Os protótipos já passaram por testes sensoriais aprovados por comitês de ética, mas ainda não possuem previsão de comercialização. O estudo recebeu financiamento do Good Food Institute (GFI), organização internacional dedicada ao avanço de tecnologias e pesquisas relacionadas às proteínas alternativas.

