No Brasil, cerca de 72% da população relata alterações no sono, segundo dados do Ministério da Saúde e estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
A Sociedade Brasileira do Sono reforça que essas queixas afetam dezenas de milhões de brasileiros, impactando diretamente qualidade de vida, produtividade e saúde geral.
O interesse digital pelo tema também cresce: dados do Google Trends mostram que buscas relacionadas à insônia atingiram níveis recordes em 2025, refletindo a crescente atenção da população para a qualidade do sono.
Dentro desse contexto, a melatonina — hormônio produzido naturalmente pelo organismo e essencial para a regulação do ritmo circadiano — ganha destaque. Atuando como sinalizador do ciclo sono–vigília, a melatonina ajuda o corpo a reconhecer o momento de dormir e de acordar, com produção principalmente noturna, influenciando a qualidade do sono e diversos processos fisiológicos.
O cardiologista Dr. Humberto Villacorta ressalta que a suplementação de melatonina pode ser utilizada em casos específicos, como alterações no horário de dormir, trabalho em turnos, jet lag ou redução natural da produção do hormônio com o envelhecimento. “A suplementação pode auxiliar na sinalização do início do período de descanso, favorecendo a organização do ciclo sono–vigília. O uso deve ser individualizado e orientado por profissionais de saúde, respeitando recomendações e limites regulatórios”, afirma.
Estudos científicos indicam que, além de regular o sono, a melatonina possui propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, e atua em processos ligados à função mitocondrial e endotelial, com relevância para o sistema cardiovascular. Pesquisas sugerem benefícios como melhora da função endotelial, modulação do estresse oxidativo, redução de remodelamento cardíaco e impacto positivo em marcadores de saúde cardíaca e qualidade de vida em grupos específicos.
Especialistas reforçam que distúrbios do sono costumam coexistir com condições crônicas, incluindo doenças cardiovasculares, e que diferentes estratégias podem ser adotadas para melhorar a qualidade do sono, sem implicar necessariamente em uma relação de causa e efeito direta.
“A melatonina continua sendo objeto de investigação científica rigorosa. Estudos crescentes exploram seus efeitos fisiológicos, destacando a importância de uso responsável, individualizado e sob orientação de profissionais de saúde”, comenta Villacorta.
No Brasil, a melatonina é regulamentada como suplemento alimentar, com limites de dosagem específicos e sem indicação terapêutica, reforçando a necessidade de orientação profissional e uso consciente — informações fundamentais para empresas e profissionais da indústria de alimentos funcionais e suplementos interessados no mercado de nutricosméticos e wellness.