Alimento fermentado à base de soja desperta interesse da indústria e acompanha a expansão da nutrição funcional na América Latina.
O natto, alimento tradicional da culinária japonesa obtido pela fermentação da soja com a bactéria Bacillus subtilis var. natto, começa a ganhar visibilidade na América Latina à medida que cresce o interesse por alimentos fermentados e ingredientes com propriedades funcionais. Embora sua presença ainda seja limitada na região, o produto passa a integrar as discussões sobre inovação em nutrição e alimentos à base de plantas.
O avanço acompanha a expansão do mercado global de alimentos fermentados, estimado em US$ 693 bilhões em 2024 e com expectativa de crescimento médio anual de 6,5%. Na América Latina, o fortalecimento de categorias como kombucha, kefir e kimchi tem contribuído para ampliar a aceitação de novos alimentos fermentados entre consumidores e varejistas.
Do ponto de vista nutricional, o natto se destaca pelo elevado teor de proteínas e fibras, além de fornecer vitamina K2 e nattokinase, enzima estudada por seu potencial de contribuição à saúde cardiovascular. Essas características ampliam o interesse da indústria em aplicações voltadas à alimentação funcional e ao desenvolvimento de produtos com proteínas de origem vegetal.
Apesar das oportunidades, o alimento ainda enfrenta desafios relacionados à sua textura e ao aroma característicos, fatores que podem limitar sua adoção em novos mercados. Especialistas, no entanto, avaliam que a produção regional pode favorecer adaptações ao perfil de consumo latino-americano, além de fortalecer a competitividade em países produtores de soja, como Brasil, Argentina e Paraguai.

