Envelhecimento, GLP-1, treino de força e mercados emergentes devem sustentar o crescimento da demanda por proteínas.
O interesse por alimentos e bebidas ricos em proteínas deve permanecer em expansão nos próximos anos, mas impulsionado por fatores diferentes daqueles que marcaram o auge do fenômeno conhecido como proteinmaxxing. É o que aponta o relatório The Age of Proteinmaxxing and the Future of Protein Demand, da Euromonitor International, que analisa a evolução da demanda global por proteínas e as perspectivas para a categoria.
Segundo o estudo, a popularização de produtos com alto teor de proteína foi impulsionada, em grande parte, por consumidores que passaram a associar o maior consumo do nutriente a benefícios para saúde e bem-estar, mesmo em mercados onde a ingestão média diária já atende às recomendações nutricionais. Esse comportamento favoreceu o lançamento de versões proteicas de produtos em diversas categorias, ampliando significativamente a oferta no varejo.
A consultoria avalia, no entanto, que esse movimento pode estar se aproximando de um ponto de maturidade. O aumento dos custos de ingredientes como o whey protein, a elevada oferta de produtos enriquecidos com proteínas, a maior cautela dos consumidores diante dos gastos e a natureza passageira de tendências de estilo de vida tendem a reduzir o ritmo de expansão impulsionado pelo chamado proteinmaxxing.
Apesar disso, a Euromonitor destaca que a demanda global por proteínas continuará crescendo, sustentada por fatores estruturais de longo prazo. Entre eles estão a expansão da classe média em mercados emergentes, especialmente na Ásia, o aumento do uso de medicamentos agonistas de GLP-1, a maior adesão aos treinamentos de força e o envelhecimento da população, que eleva a necessidade de ingestão proteica para manutenção da massa muscular.
O relatório estima que 93% do crescimento futuro da demanda global por proteínas será proveniente dos mercados em desenvolvimento, refletindo a mudança dos hábitos alimentares em países onde o consumo de proteínas ainda apresenta potencial de expansão.
Além da evolução da própria categoria, a consultoria aponta que ingredientes como fibras e creatina tendem a ganhar maior protagonismo em alimentos, bebidas e suplementos. Ainda assim, a expectativa é que a inovação em proteínas passe a priorizar a qualidade nutricional, aplicações específicas e necessidades fisiológicas de diferentes perfis de consumidores, em vez da simples ampliação do teor proteico dos produtos.

