As transformações demográficas, econômicas e comportamentais da população brasileira estão redesenhando o varejo supermercadista.
Dados apresentados durante a APAS SHOW 2026 mostram que fatores como o aumento da expectativa de vida, a evolução da renda e a crescente preocupação com saúde e qualidade de vida vêm alterando de forma estrutural os hábitos de consumo das famílias, impactando diretamente o sortimento de produtos e o posicionamento das redes.
O levantamento, apresentado pela Associação Paulista de Supermercados (APAS), reuniu indicadores de longo prazo sobre expectativa de vida, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), renda, crédito e perfil das famílias brasileiras. A análise também incorporou informações obtidas a partir de cupons fiscais processados pela Scanntech e uma pesquisa conduzida pela Shopper Experience com mais de mil famílias distribuídas pelas cinco regiões do país.
Entre os principais resultados, destaca-se a crescente valorização do bem-estar. Segundo o estudo, 51% dos entrevistados afirmam praticar atividades físicas regularmente, enquanto cerca de 60% relatam ter modificado seus hábitos de consumo nos últimos anos em busca de uma rotina mais saudável.
Os dados de vendas reforçam essa tendência. Entre o primeiro trimestre de 2022 e o mesmo período de 2026, o consumo de indulgências caiu 6,2%, enquanto os alimentos ultraprocessados registraram retração de 4%. Em sentido oposto, categorias associadas à nutrição ganharam espaço: o consumo de frango avançou 8%, o de carne bovina cresceu 18% e o de ovos apresentou expansão de 41% no período.
Para a APAS, essa mudança também reflete a evolução do cenário macroeconômico brasileiro. O crescimento da renda real, a redução do desemprego, o controle da inflação e a ampliação do poder de compra têm permitido que os consumidores diversifiquem sua cesta de compras e priorizem produtos alinhados aos conceitos de saúde, funcionalidade e qualidade de vida.
As mudanças já podem ser observadas no próprio ambiente de varejo. Os supermercados ampliaram a oferta de produtos saudáveis e passaram a dedicar mais espaço a categorias voltadas ao bem-estar, transformando as lojas em ambientes que vão além do abastecimento cotidiano e se consolidam como pontos de experimentação e descoberta de novos produtos.
Segundo Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS, as transformações observadas refletem uma mudança estrutural no perfil do consumidor brasileiro e devem continuar influenciando as estratégias da indústria e do varejo nos próximos anos, especialmente diante do envelhecimento da população e da crescente demanda por soluções que conciliem saúde, conveniência e qualidade de vida.

