Pesquisa utiliza nanoencapsulação para aproveitamento de subprodutos da fruta em aplicações nas indústrias de alimentos.
Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram uma tecnologia capaz de converter resíduos gerados no processamento industrial da acerola em ingredientes funcionais com potencial de uso nos setores de alimentos, suplementos nutricionais e cosméticos. A proposta aproveita películas, sementes e fibras da fruta, normalmente descartadas após a extração da polpa, como fonte de compostos bioativos.
A iniciativa parte da constatação de que esses subprodutos ainda preservam concentrações relevantes de vitamina C e compostos fenólicos, reconhecidos por sua atividade antioxidante. Segundo os pesquisadores, essas características permitem o aproveitamento dos resíduos como matéria-prima para a obtenção de ingredientes de maior valor agregado.
Para preservar a estabilidade desses compostos, a equipe empregou a técnica de nanoencapsulação por secagem por aspersão (spray drying). O processo utiliza materiais como goma arábica e quitosana para formar nanopartículas capazes de proteger os ativos contra fatores como luz, temperatura e oxigênio, além de favorecer sua liberação controlada em diferentes aplicações.
De acordo com o estudo, a tecnologia pode ampliar o aproveitamento dos resíduos gerados pela cadeia agroindustrial da acerola, viabilizando seu uso no desenvolvimento de alimentos enriquecidos, suplementos nutricionais e produtos cosméticos com ingredientes de origem vegetal.
A pesquisa acompanha o avanço da demanda por ingredientes funcionais naturais, impulsionada pelo interesse da indústria em compostos bioativos, antioxidantes e vitaminas obtidos de fontes sustentáveis. Nesse contexto, o aproveitamento dos resíduos da acerola surge como alternativa para agregar valor à cadeia produtiva, reduzir o desperdício e fortalecer iniciativas alinhadas aos princípios da economia circular.

